Stephen Eustáquio reafirma compromisso com o FC Porto em meio a especulações de transferência e crescente concorrência no meio-campo do Canadá
O médio internacional canadiano Stephen Eustáquio deixou claro que pretende continuar a sua carreira no FC Porto, apesar das oportunidades limitadas de jogo no início da época 2025–26 e das recentes especulações que o ligam a uma possível saída de Portugal. Em declarações à TSN esta semana, o jogador de 28 anos reafirmou o desejo de permanecer nos dragões, sublinhando que o seu foco imediato está em representar o emblema portista, ao mesmo tempo que se prepara para aquele que poderá ser o momento mais importante da sua carreira internacional: o Campeonato do Mundo de 2026, que terá lugar no Canadá, Estados Unidos e México.
“Estou focado em representar o Porto este ano”, afirmou Eustáquio de forma categórica quando questionado sobre a possibilidade de sair antes do fecho do mercado de transferências europeu. A sua posição surge numa altura em que vários outros internacionais canadianos têm protagonizado mudanças no futebol europeu, alimentando rumores de que ele poderia ser o próximo a procurar um novo desafio.
Contrato com o Porto e rumores de transferência
Eustáquio tem contrato com o FC Porto por mais duas temporadas, o que garante alguma estabilidade em relação ao seu futuro. Ainda assim, nas últimas semanas surgiram rumores a ligá-lo ao Trabzonspor, da Turquia, com a imprensa local a noticiar um alegado interesse do clube da Süper Lig. Contudo, fontes próximas do jogador e do clube português indicam que não houve progressos concretos nesse sentido e que é pouco provável que o médio deixe o Dragão antes do fecho da janela de transferências, a 1 de setembro.
A sua utilização reduzida pela equipa técnica portista tem sido um dos principais motivos para a especulação. Até ao momento, o jogador ainda não foi titular em nenhum jogo da época, tendo apenas três aparições como suplente utilizado. Já no final da temporada passada, Eustáquio chegou a ser utilizado numa posição improvisada como defesa-central — uma decisão que surpreendeu tanto observadores portugueses como adeptos canadianos, dado que a sua posição natural é claramente o meio-campo.
Jogar fora da posição
Questionado sobre a hipótese de utilizar Eustáquio como defesa-central, o novo selecionador do Canadá, Jesse Marsch, respondeu com humor, mas também com respeito pela versatilidade do jogador.
“Eu e o Steph falámos sobre isso, e eu disse-lhe que acho que ele devia jogar como central”, brincou Marsch, arrancando gargalhadas da comunicação social. “Eu sei que ele faria isso se eu pedisse, mas olhar-me-ia e diria: ‘Mister, não me faça isto.’ Nós conhecemos o Steph — ele aceitou perfeitamente esse papel quando a sua equipa lhe pediu, e se o treinador quiser que ele faça isso, ele dará sempre o máximo. Mas sejamos honestos, as suas qualidades brilham no meio-campo.”
O comentário reforça aquilo que muitos no futebol canadiano já sabem: a adaptabilidade e a dedicação altruísta de Eustáquio tornam-no numa figura extremamente valiosa. No entanto, também evidencia a tensão entre a sua disposição em colocar a equipa em primeiro lugar e a necessidade de ter minutos consistentes na sua posição de origem, sobretudo numa fase crucial para o programa da seleção canadiana.
Concorrência crescente no meio-campo do Canadá
A ausência de Eustáquio no meio-campo do Canadá durante a Gold Cup da CONCACAF de 2023 foi sentida de forma significativa. Lesionado na altura, viu de fora a eliminação nos quartos de final frente à Guatemala, considerada uma das derrotas mais dececionantes da história recente da seleção. Marsch e a sua equipa técnica não esconderam o lamento pela ausência do médio, destacando a sua calma, capacidade de distribuição e liderança como aspetos que fizeram falta.
No entanto, desde então, ficou evidente que o Canadá dispõe agora de opções mais profundas no meio-campo. O surgimento de jovens talentos como Ismaël Koné, Nathan Saliba e Niko Sigur, aliado à fiabilidade de Mathieu Choinière, faz com que a luta por um lugar no onze seja cada vez mais intensa. Embora Eustáquio continue a ser o médio mais experiente e consagrado do grupo, a crescente concorrência significa que não pode dar-se ao luxo de perder demasiados minutos no clube se quiser manter a sua centralidade na seleção rumo ao Mundial de 2026.
Este cenário levou alguns analistas a sugerirem que uma saída do Porto poderia beneficiar as suas perspetivas internacionais. Porém, a determinação de Eustáquio em permanecer no Dragão demonstra a sua confiança nas próprias capacidades e na importância que acredita ainda ter numa das maiores equipas de Portugal.
Uma carreira marcada pela resiliência
A trajetória de Eustáquio tem sido definida pela resiliência e perseverança. Nascido em Leamington, Ontário, mas criado maioritariamente em Portugal, desenvolveu o seu futebol no sistema português antes de dar o salto profissional. A sua carreira esteve prestes a descarrilar em 2019, quando sofreu uma grave lesão no joelho ao serviço do Cruz Azul, no México. A paragem prolongada levou muitos a questionarem se conseguiria recuperar o nível que em tempos o tornara num médio promissor.
No entanto, a recuperação e o regresso em grande plano demonstraram a sua determinação. No início de 2022, já brilhava na Primeira Liga ao serviço do Paços de Ferreira, cujas exibições chamaram a atenção do FC Porto. O clube contratou-o inicialmente por empréstimo em janeiro desse ano, mas a sua rápida adaptação levou à compra definitiva poucos meses depois.
Desde então, soma mais de 140 jogos pelo Porto em apenas três temporadas e meia — um número significativo que reflete a confiança que treinadores anteriores depositaram nele. Durante este período, conquistou um campeonato nacional e três Taças de Portugal, consolidando o estatuto de um dos jogadores canadianos mais bem-sucedidos de sempre na Europa.
Desafios atuais no Porto
O desafio agora passa por convencer a atual equipa técnica portista a devolvê-lo a um papel de maior protagonismo. A concorrência no plantel é feroz, sobretudo no meio-campo, setor em que o clube dispõe de várias opções de qualidade, tanto nacionais como internacionais. Alterações táticas também contribuíram para a sua menor utilização, com sistemas que por vezes o afastaram do onze inicial ou o empurraram para funções mais defensivas.
Apesar disso, o jogador não demonstra sinais de preocupação. Aos 28 anos, sabe que ainda tem muitos anos de alto rendimento pela frente e que a sua versatilidade, profissionalismo e experiência continuam a ser valiosos para o Porto. “O Steph sempre foi alguém que coloca a equipa em primeiro lugar”, destacou Marsch. “É por isso que ele é uma peça-chave para nós no Canadá. É altruísta, disciplinado e faz todas as pequenas coisas que nem sempre são notadas. Qualquer equipa teria sorte em contar com ele.”
Olhos postos no Mundial
Para o Canadá, o crescimento contínuo e a regularidade de Eustáquio são fatores cruciais. Com o país a preparar-se para coorganizar o Mundial de 2026, as expectativas em torno da seleção masculina nunca foram tão altas. Jogadores como Alphonso Davies, Jonathan David e Tajon Buchanan são vistos como as grandes estrelas, mas a estabilidade no meio-campo — especialidade de Eustáquio — será igualmente determinante.
O torneio perfila-se como um momento histórico para o futebol canadiano, capaz de inspirar uma nova geração e elevar o estatuto da modalidade no país. Para Eustáquio, assumir um papel central em casa representaria o auge de uma carreira já marcada por superar adversidades e alcançar títulos relevantes na Europa.
O que vem a seguir
Embora as especulações em torno do seu futuro no clube possam prolongar-se até ao fecho do mercado, tudo indica que Eustáquio continuará no Porto a lutar pelo seu espaço. A sua declaração pública de lealdade ao clube é um sinal de compromisso e confiança — qualidades que sempre o definiram. Recuperar um lugar no onze dependerá do rendimento nos treinos, das opções táticas da equipa técnica e, talvez, de algum fator de sorte relacionado com lesões e rotações de plantel.
Para já, o seu foco mantém-se dividido entre o clube e a seleção. Com dois anos de contrato pela frente e um Mundial no horizonte, as próximas temporadas poderão ser decisivas para moldar o legado de um dos futebolistas canadianos mais respeitados no estrangeiro.