Miguel Oliveira Reflete sobre Saída do MotoGP Após Divórcio com a Pramac e Afirma que “Deu Tudo” na Luta por um Lugar em 2026
Miguel Oliveira abriu-se sobre as circunstâncias difíceis que marcaram a sua saída do MotoGP no final da temporada 2025, admitindo que, apesar de ter esgotado todos os esforços possíveis para garantir o seu futuro, não conseguiu impedir a sua saída da categoria principal. O piloto português disputou a sua última prova de MotoGP no Grande Prémio de Valência, no início deste mês, encerrando uma trajetória de seis anos na categoria de topo que começou na Tech3 KTM em 2019 e incluiu várias vitórias históricas.
A transição de carreira de Oliveira ocorre após a Pramac Racing, equipa satélite da Yamaha a partir de 2025, ter acionado uma cláusula de desempenho no seu contrato 1+1 — acordo inicialmente concebido para cobrir as temporadas de 2025 e 2026. Embora as expectativas iniciais tenham pintado a mudança como o início de um projeto de longo prazo entre piloto e fabricante, a decisão da Pramac de dispensar o piloto de 30 anos após apenas uma temporada trouxe um fim rápido a essa visão.
O ponto de viragem no futuro de Oliveira ocorreu em junho, quando a equipa confirmou publicamente que a sensação do World Superbike, Toprak Razgatlioglu, se juntaria à Pramac em 2026. Com apenas dois lugares disponíveis e Jack Miller também no plantel, tornou-se imediatamente claro que um dos pilotos titulares seria dispensado para acomodar o campeão vigente do WSBK. No final, Oliveira foi o piloto sacrificado, uma decisão que inicialmente o surpreendeu, mas que mais tarde fez sentido dentro da complexa dinâmica de expectativas de desempenho, lesões e estratégia da equipa.
Uma Temporada Marcada por Lesões e Incertezas
Ao descrever o impacto emocional e físico da sua campanha em 2025, Oliveira ofereceu reflexões sinceras sobre as dificuldades de recuperar de lesões enquanto lutava pelo seu futuro na modalidade. O golpe mais significativo aconteceu na Argentina, durante a segunda ronda da temporada, onde sofreu uma lesão no ombro que limitou consideravelmente o seu desempenho no início do ano. O que inicialmente parecia um problema controlável transformou-se numa luta prolongada.
“Foi uma experiência humilhante em todos os sentidos, porque nada era garantido”, explicou Oliveira, ao ser questionado sobre o equilíbrio entre a reabilitação e a pressão contratual. Ele observou que o revés não só interrompeu o seu ritmo, como também dificultou a adaptação completa a uma plataforma Yamaha que, tal como ele, precisava de tempo para atingir a competitividade ideal.
Admitiu que a duração da recuperação da lesão “o surpreendeu” porque demorou muito mais do que ele e a sua equipa médica tinham previsto. O que se esperava ser uma interrupção breve acabou por lhe negar semanas cruciais de desenvolvimento, particularmente durante a fase inicial da temporada, quando os pilotos normalmente se familiarizam com novos ambientes, engenheiros e máquinas.
“Esse atraso adiou a fase em que se conhece a moto, se encaixa mecanicamente e pessoalmente, e se começa a levar tudo ao limite”, disse. “E as decisões tomadas depois acabaram por me deixar sem lugar.”
Apesar das frustrações, Oliveira insistiu que não nutria ressentimentos em relação à equipa ou à Yamaha, preferindo encarar a situação como uma parte natural — embora dolorosa — do desporto de elite. “Não acho que deva encarar isto com arrependimento”, afirmou. “Sei que dei o meu melhor, e é isso que preciso levar comigo. No final, fiz tudo para ficar, mas não foi suficiente.”
Reflexões sobre uma Carreira na Categoria Principal com Altos, Baixos e Momentos de Destaque
Embora os últimos anos da sua jornada no MotoGP tenham sido marcados por inconsistência e lesões — especialmente nos períodos difíceis com RNF e Trackhouse —, Oliveira deixa o campeonato com um recorde que muitos pilotos nunca alcançam. Ao longo de seis temporadas, conquistou cinco vitórias em Grandes Prémios, sete pódios e uma pole position — tudo isso competindo sob a bandeira da KTM, onde obteve o seu maior sucesso.
Ele foi amplamente reconhecido como um piloto com excepcional habilidade em condições variáveis ou de baixa aderência, produzindo várias das suas vitórias mais memoráveis em circunstâncias complicadas. A sua vitória tardia no Grande Prémio da Estíria de 2020, por exemplo, permanece como um dos triunfos de azarão mais icónicos da era moderna.
Antes de chegar ao MotoGP, Oliveira destacou-se nas categorias de base, terminando como vice-campeão tanto no Moto2 como no Moto3. O seu percurso nas classes inferiores foi marcado por forte compreensão técnica, execução suave na pilotagem e uma reputação merecida como um dos pilotos mais leais e influentes no desenvolvimento da KTM.
Ao olhar para trás sobre as suas conquistas, Oliveira afirmou sentir apenas gratidão pelas oportunidades que recebeu e pelas equipas que ajudaram a construir a sua carreira. “Poucos pilotos podem dizer que ganharam em diferentes classes”, refletiu. “Tive a sorte de viver isso. Fiz parte de grandes equipas — especialmente no Moto3 e Moto2 — e devo muito à KTM por tudo o que fizeram por mim.”
Ele também enfatizou que o seu crescimento pessoal e profissional foi moldado pelas pessoas à sua volta ao longo dos anos: engenheiros, mecânicos, gestores de equipa e técnicos que ajudaram a refinar as suas capacidades. “Tantas equipas e indivíduos ajudaram a tirar o melhor de mim, tanto na pilotagem como na técnica, ajudando-me a evoluir temporada após temporada. Qualquer sucesso que eu tenha no futuro estará sempre ligado a essas experiências passadas.”
Um Novo Capítulo com a BMW e a Possibilidade de Retorno ao MotoGP
À medida que Oliveira se afasta da competição no MotoGP, o seu futuro imediato será no paddock do Superbike, onde se juntará à BMW para a próxima fase da sua carreira. A mudança gerou grande interesse, particularmente devido ao contínuo investimento da BMW e à sua ambição de lutar regularmente por vitórias no World Superbike.
Ao mesmo tempo, o MotoGP pode não ter visto o último de Oliveira. O piloto português já manteve conversações com a Aprilia sobre uma possível posição de piloto de testes para 2026. Tal papel estaria alinhado com a sua comprovada força em trabalhos de desenvolvimento, embora qualquer acordo final dependa da aprovação da BMW — seu empregador principal na próxima temporada.
Oliveira sublinhou que mantém a mente aberta quanto à possibilidade de regressar ao MotoGP no futuro. “Definitivamente, não fecho a porta a voltar como piloto a tempo inteiro”, afirmou. “Mas, neste momento, simplesmente não há oportunidade. Então, o meu foco tem de se voltar para o que está à frente.”
Por agora, isso significa dedicar-se completamente ao programa Superbike da BMW, enquanto mantém uma presença no MotoGP que poderá eventualmente levar a um regresso. Com a série a continuar a evoluir, o movimento de pilotos a tornar-se cada vez mais fluido e os fabricantes constantemente à procura de vantagens competitivas, a experiência e adaptabilidade de Oliveira poderão torná-lo uma opção atraente para futuras equipas.
Uma Carreira que Deixa Marca — e a Possibilidade de Mais por Vir
A saída de Miguel Oliveira do MotoGP é, sem dúvida, emocional para os seus apoiantes e para o paddock em geral, mas também é marcada por um sentimento de orgulho, maturidade e perspetiva. Ele deixa para trás uma carreira moldada por resiliência, desempenhos de destaque e importantes contribuições para o desenvolvimento das equipas, especialmente durante os anos de crescimento da KTM.
Embora as suas últimas temporadas na categoria principal tenham sido turbulentas, as cinco vitórias, múltiplos pódios e forte capacidade de corrida garantem que deixa uma marca indelével no campeonato. E com a porta ainda entreaberta para um regresso futuro, a sua história no MotoGP poderá ter ainda capítulos adicionais.
Por agora, no entanto, Oliveira segue em frente — armado com experiência, gratidão e um novo desafio competitivo no World Superbike — pronto para iniciar a próxima etapa de uma carreira que continua a evoluir, tal como ele próprio.


